Jogo de Areia

Apresento de forma resumida os conceitos fundamentais da psicologia analítica, ilustrados com cenários do Jogo de Areia.

Os cenários apresentados e suas descrições, têm a intenção de clarear e exemplificar como é possível observar na caixa de areia a representação dos arquétipos principais, que cumprem funções fundamentais na formação da personalidade e influenciam de forma determinante as relações. Os temas que aparecem em cada um dos cenários não estão analisados em sua totalidade, pois estão sendo focados somente como ilustração do conceito em questão.

A psique engloba a personalidade como um todo: pensamentos, sentimentos e comportamentos – conscientes e inconscientes. Exerce a função de guia que adapta o individuo ao ambiente social e físico, regulando-o.

Para a Psicologia Analítica, a concepção de psique ratifica a idéia primordial de Jung, de que uma pessoa já nasce como um “todo”. Sua tarefa durante a existência é desenvolver este “todo” essencial, até levá-lo a um nível maior de coerência, diferenciação e harmonia, cuidando também para que ele não se divida em sistemas separados, autônomos e conflitantes.

A psique é composta por diferentes sistemas e níveis, mas que interagem entre si.

Possui 3 níveis:

  • consciência
  • inconsciente pessoal
  • inconsciente coletivo

A consciência é a parte conhecida da mente. É uma percepção consciente que aparece logo cedo na vida e que podemos observar na criança ao observar os pais, objetos, etc.

Temos 4 funções psíquicas, das quais duas são racionais – Pensamento e Sentimento – e duas irracionais – Sensação e intuição.

  • Pensamento: as decisões são determinadas pelo conhecimento intelectual e pela lógica racional;
  • Sentimento: o sujeito avalia as coisas subjetivamente, através da emoção;
  • Sensação: as informações são apreendidas pelos órgãos sensoriais;
  • Intuição: a percepção dá-se por vias inconscientes, através de pressentimentos e impressões.

As funções não são utilizadas na mesma proporção, na maioria das vezes havendo uma predominância na utilização de uma determinada função, o que irá caracterizar um individuo. Por exemplo: uma pessoa tipo Pensamento será claramente diferente de uma outra pessoa tipo Sensação.

Além das funções psíquicas que determinam o tipo, existem as atitudes que determinam a orientação da mente consciente:

  • Extroversão = orienta a consciência para o mundo externo;
  • Introversão = orienta a consciência para o mundo interno.

No centro da consciência está o “eu” ou ego que organiza a mente consciente por meio das percepções conscientes: pensamentos, sentimentos e recordações. Ele tem a função de vigiar a consciência, filtrando as experiências do dia-a-dia, selecionando quais se tornarão conscientes e eliminando a maior parte delas.

Como conseqüência desta seleção e eliminação, que será comandada pela função psíquica dominante, o ego dá identidade e coerência à personalidade.

O “eu” contém tudo aquilo que o sujeito sabe de si próprio, ou seja, todas as características do seu modo de ser que ele aceita, porque estão de acordo com os princípios, os ideais e os valores do contexto social em que o próprio sujeito se reconhece.

O “eu” é entendido também como a função mediadora entre a consciência e o inconsciente e entre o individual e o coletivo.

Cenário que exemplifica a busca da estruturação do “eu”

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O processo pelo qual uma pessoa se individualiza e se diferencia das outras é denominado individuação. O objetivo é conhecer a si mesmo tão completamente quanto possível, embora isto só se realize na medida em que o ego permitir que as experiências se tornem conscientes.

Na Psicologia Analítica, o inconsciente compreende o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

O inconsciente pessoal reporta-se às camadas mais superficiais do inconsciente. Aí estão guardadas as experiências que não foram aceitas pelo filtro do ego e, conseqüentemente, foram reprimidas ou desconsideradas, tais como: lembranças penosas, conflitos pessoais ou morais. Lá estão escondidas as nossas qualidades que, apesar de nos serem inerentes, nos desagradam e, por isso, encobrimos de nós mesmos.

Os conteúdos do inconsciente pessoal, via de regra, têm fácil acesso à consciência, quando se faz necessário.

No inconsciente pessoal estão os complexos, aglomerados de sentimentos, pensamentos e lembranças carregados de forte potencial afetivo, incompatíveis com a atitude consciente. Qualquer experiência que tocar o complexo provocará uma reação exacerbada, com força própria, que pode atuar de modo impetuoso e veemente no controle de nossos pensamentos e comportamentos. Entretanto, o complexo não tem que ser necessariamente patológico.

Representando um obstáculo ao ajustamento da pessoa, ele pode ser fonte de inspiração, como uma manifestação artística, por exemplo.

Eles são como pequenas personalidades independentes, autônomas e separadas da personalidade total, razão pela qual se diz que “uma pessoa não tem um complexo: o complexo é que a tem”. Ela não o percebe, mas ele é facilmente percebido pelos outros.

Ao estudar os complexos, Jung descobriu outro nível da psique, ao qual chamou de inconsciente coletivo.

Rompendo com a noção de que tanto a mente consciente como a inconsciente eram originárias da experiência, Jung demonstrou que a evolução e a hereditariedade determinam a linha de ação da psique, assim como o fazem com o corpo físico. A mente, através de seu mediador, o cérebro, herda as características que determinam de que forma uma pessoa reagirá às experiências de vida, configurando-a previamente pela evolução. O homem está ligado ao seu passado pessoal, ao passado de sua espécie e à longa cadeia da evolução orgânica.

O inconsciente coletivo é o depósito das “imagens primordiais”, que se referem ao primeiro, ao mais primitivo desenvolvimento da psique.

Herdamos essas imagens do passado ancestral, que inclui os nossos antecessores humanos, pré-humanos e animais. São predisposições ou potencialidades no experimentar e no responder ao mundo tal como os nossos antepassados.

Os conteúdos do inconsciente coletivo ativam padrões pré-formados de comportamento pessoal, que a pessoa seguirá desde o seu nascimento.

Um exemplo: Temos no Inconsciente coletivo uma “imagem primordial” de “mãe”. Esta imagem expressar-se-á assim que o bebê tiver a percepção de sua mãe verdadeira, e a ela reagir. A imagem de “mãe” que está no inconsciente coletivo é a responsável pela nossa fácil identificação da figura materna e como reagimos a ela.

Os conteúdos do inconsciente coletivo são denominados arquétipos.

Os arquétipos são “formas sem conteúdo que representam apenas uma possibilidade de percepção e ação” (CWJung IX/1,§48). São universais – todos herdam as mesmas imagens arquetípicas básicas, que serão preenchidas pelo material da nossa experiência consciente.

Continuando o exemplo da Imagem pré-formada de “mãe”: assim que o bebê entrar em contato com sua mãe a imagem pré-formada será amplificada, sendo agora definida pela aparência e comportamento da mãe verdadeira e pelas experiências que terá com ela ao longo da vida.

Citamos anteriormente que os complexos residem no inconsciente pessoal e que são aglomerados de sentimentos, pensamentos e lembranças carregados de forte potencial afetivo. O arquétipo é o núcleo do complexo. Ele atrai para si experiências significativas, a fim de formar o complexo, tornando-se suficientemente forte para constituir o centro de um complexo bem desenvolvido, para poder se expressar na consciência e no comportamento.

Existe um número inimaginável de arquétipos, dentre os quais: pai, mãe, herói, criança, Deus, demônio, nascimento, morte, renascimento, sábio, embusteiro, sol, lua.

Alguns arquétipos desempenham papéis fundamentais na formação de nossa personalidade e de nosso comportamento. São eles: persona, anima e animus, sombra e o Si-mesmo.

A palavra persona é derivada do verbo “personare”, ou “soar através de”. No teatro grego era o nome da máscara que os atores usavam para lhes dar a aparência que o papel exigia, assim como amplificar sua voz para que fosse ouvida pelos espectadores.

Na Psicologia Analítica, a “persona” indica um aspecto da personalidade, representante da psique coletiva, que se encontra dentro da própria personalidade. É uma estrutura da psique que gira em torno do “eu”, e cuja relação com o próprio “eu” muda continuamente ao longo da vida.

É a imagem que o individuo mostra externamente, seu papel ou status social nas relações com o mundo e o aspecto que ele assume nas relações com a cultura e com a sociedade. Refere-se também à adaptação do individuo ao coletivo, à atitude que o individuo mostra como resposta aos outros e às situações, para adaptar-se ao ambiente e nele agir. Diz respeito ao conjunto de atitudes convencionais do individuo enquanto pertencente a uma tradição, que se evidencia nos seus prejulgamentos em relação aos outros.

A persona é o invólucro das modalidades expressivas, dos pensamentos e sentimentos do individuo na relação que mantém com os estereótipos da psique coletiva, consciente e inconsciente. É a mediação entre a individualidade e a exigência da cultura, motivo pelo qual a pessoa necessita de máscaras para representar seus diversos papeis sociais.

Cenário que ilustra aspectos da “persona

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Anima e animus são termos latinos que indicam a imagem da alma de um indivíduo, respectivamente masculina ou feminina.

Estes termos foram introduzidos por Jung para simbolizar a característica contra-sexual de cada indivíduo, parte do princípio da complementariedade, através do qual a psique se move. São imagens psíquicas, configurações originárias de uma estrutura arquetípica básica, provenientes do inconsciente coletivo. São subliminares à consciência e funcionam a partir de dentro da psique inconsciente, influindo sobre o principio psíquico dominante de um homem ou de uma mulher.

Jung diz: “A anima, sendo feminina, é a figura que compensa a consciência masculina. Na mulher, a figura compensadora é de caráter masculino, e pode ser designada pelo nome de animus” (Obras Completas C G. Jung, Vol.VII, §328).

Mais tarde, Jung enriqueceu sua definição de anima e animus chamando-as de “não eu”, está fora de si próprio, pertencente à sua alma ou espírito.

Para o homem, tem a característica de reações , impulsos e posicionamentos baseados em conhecimento não suficientemente justificado; e para a mulher assume a forma de compromissos, crenças e inspirações; é algo que induz a tomar conhecimento do que é espontâneo e significativo na vida psíquica.

A compreensão e a integração de cada uma dessas imagens exigem uma parceria com o sexo oposto. É uma tarefa primária na análise, discriminar e examinar os aspectos deste par de opostos entre analista e paciente.

Cenário que demonstra aspectos da “anima

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Cenário que revela aspectos de possessão pelo “animus

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A sombra é o outro lado da personalidade e, por esta razão, é a parte obscura da psique, enquanto tal inferior e indiferenciada que, de diversos modos, é, necessariamente, remetida à parte superior e diferenciada da própria psique durante o processo de individuação – que vem a ser o processo de transformação contínua de uma personalidade.

A sombra é uma unidade complexa dotada de vitalidade autônoma, fundamentalmente entendida como o negativo de cada indivíduo, que o próprio homem pode apenas perceber sentimental e intuitivamente e, por isso, experienciar.

Exprime o lado não aceito da personalidade assim como se constituiu, e portanto é, de um lado, o conjunto de tendências, características, atitudes e desejos inaceitáveis em relação ao complexo do “eu”; do outro, o conjunto das funções indiferenciadas ou fracamente diferenciadas em relação às funções psíquicas. Surge então a expressão “sombra do eu”, que indica especificamente o conjunto de modalidades e possibilidades de existência reconhecidas pelo sujeito como não próprias, seja enquanto negativas ou não-valores em relação a valores já codificados na consciência: considera-se que tais elementos fiquem alienados de si para defender e ao mesmo tempo constituir a própria identidade, embora com o risco de parar indefinidamente o devir da pessoa humana.

Neste sentido a experiência da sombra é experiência da definição de si e do limite que, enquanto tal, constitui a atual identidade do sujeito.

Durante o trabalho analítico (análise) identificamos diferentes acepções da sombra:

1. A projeção da sombra – alienação do sujeito em relação aos próprios conteúdos psíquicos negativos considerados penosos e incompatíveis, e a incorporação dos mesmos no “outro”. Tal dinâmica é posta como explicação das antipatias e idiossincrasias que nascem em cada sujeito, ao referir ao “outro” aquilo que existe de sombrio na própria personalidade;

2. A identificação com a sombra – o sujeito assume os próprios conteúdos negativos, razão pela qual adota todas as suas características. A energia psíquica dinamiza apenas os conteúdos negativos, por essa razão é considerada como ainda não elaborada sob forma de autocrítica;

3. A cisão da sombra – se refere a vida autônoma, que ocorre dentro da psique, dos conteúdos rejeitados, de qualquer forma, pelo complexo do “eu”, motivo pelo qual eles provocam, por um lado, bruscas mudanças de personalidade, e por outro lado a alternância de personalidades diferentes;

4. A diferenciação da sombra – nesta etapa, há a distinção e o desenvolvimento dos conteúdos psíquicos negativos, a fim de que esses possam entrar verdadeiramente em relação com os seus opostos;

5. A integração da sombra – é o reconhecimento crítico à aceitação não apenas racional dos aspectos negativos da própria personalidade. Tal reconhecimento e aceitação, sendo realizados por parte do “eu”, restituírão ao próprio “eu” a energia psíquica, de tipo cognitivo e afetivo, que antes disso residia isoladamente nos conteúdos psíquicos.

Cenário que mostra como exemplo aspectos da “sombra”

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O arquétipo central da psique humana é o Si-mesmo. É o principio ordenador e unificador da totalidade da psique consciente e inconsciente, atrai para si e harmoniza os demais arquétipos e suas atuações nos complexos e na consciência. Atua como a fonte criadora e reguladora de nossa vida psíquica. O Si-mesmo é a maior autoridade psíquica e subordina o “eu” ao seu domínio.

Quando o arquétipo do Si-mesmo está conectado ao “eu” a pessoa sente-se em paz consigo mesma. Quando, por outro lado, o eixo “eu— Si-mesmo” está bloqueado ou rompido, a pessoa sente-se “fora de eixo”, podendo até se desestruturar.

Para atingir a individuação, a pessoa precisa diferenciar e integrar todas as instâncias psíquicas: “eu”, persona, anima ou animus e a sombra, em relação ao Si-mesmo e ao coletivo, resultando assim em um desenvolvimento do individuo no âmbito espiritual e coletivo.

A meta final de qualquer indivíduo é chegar a um estado de auto-realização e de profundo conhecimento do próprio “eu”, essa é a tarefa de uma vida.

Alcançar a auto-realização depende da cooperação e estruturação do “eu”, pois depois de um longo processo de transformações internas impõe-se o sacrifício do “eu”, que reconhece sua posição subordinada e está preparado para servir à totalidade — o Si-mesmo.

Cenário que exemplifica aspectos do “Si-mesmo”

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A “imaginação ativa” é um método dirigido a desenvolver a imaginação do paciente durante o processo terapêutico, a fim de acelerar os processos de formação de símbolos e de imagens individuais. É usada para extrair diferentes conteúdos inconscientes, a fim de que, uma vez que se tenham tornado visíveis, o “eu” possa confrontar-se com os mesmos. Este método exige um “eu” estruturado, pois pressupõe a condição de suportar o encontro com as imagens do inconsciente e uma ampliação da consciência.

Jung define o processo da “função transcendente” no seu trabalho “Tipos Psicológicos”, nos §244, §549 e §550:

“A função psicológica e transcendente resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes. A experiência no campo da Psicologia Analítica nos tem mostrado abundantemente que o consciente e o inconsciente raramente estão de acordo no que se refere a seus conteúdos e tendências. Esta falta de paralelismo, como nos ensina a experiência, não é meramente acidental ou sem propósito, mas se deve ao fato de que o inconsciente se comporta de maneira compensatória ou complementar em relação à consciência. Podemos inverter a formulação e dizer que a consciência se comporta de maneira compensatória com relação ao inconsciente. (…) A atividade do inconsciente faz emergir um conteúdo em que se patenteia, em idêntica medida, o influxo da tese e da antítese, e que, em relação a ambas, conduz-se com efeitos compensatórios. Desde o começo em que esse conteúdo mostra suas relações tanto com a tese como com a antítese, constitui uma base intermediária em que os contrastes se podem conjugar. (…) Em seu conjunto, dou ao processo que acabo de descrever o nome de Função Transcendente. Mas, neste caso, não entendo como função, uma função fundamental, mas o fato de que, em virtude dessa função, opera-se o trânsito entre uma e outra disposição. A matéria-prima trabalha pela tese e antítese que em seu processo de conformação realiza a conjugação dos contrários é o símbolo vivo”.

A unidade dos opostos, consciente e inconsciente, é o que se concretiza na caixa de areia. Ela desempenha o papel desse diálogo entre as duas instâncias, assumindo a função transcendente dentro do processo terapêutico com o Jogo de Areia.

Por meio da caixa de areia ocorre o contato com a realidade mais profunda do paciente, possibilitando o diálogo com o Eu interno – o Si-mesmo, o confronto com o desconhecido em nós, que é necessário e fundamental a todo processo de transformação psicológica.

A caixa de areia e o setting terapêutico tornam-se a área limítrofe onde os opostos podem se confrontar e os conflitos podem ser resolvidos antes de serem levados para o mundo real.

Cenário que exemplifica a “função transcendente”:

Cenário que exemplifica aspectos do “Si-mesmo”

Vemos no lado direito do cenário figuras que personificam o povo, mulheres e homens com roupas e ferramentas de trabalho, no centro está o bobo da corte fazendo suas graças e do lado esquerdo estão figuras que representam a corte, o Rei e a Rainha, a Princesa e o Príncipe e o Arauto (aquele que anuncia a chegada das pessoas).

Neste cenário fica evidente a oposição.

O arquétipo do Rei simboliza a projeção do “Si-mesmo”, um ideal a realizar, é um valor ético e psicológico. Sua imagem concentra sobre si os desejos de autonomia, governo sobre si mesmo, de conhecimento integral e consciência. Junto com a Rainha, eles incorporam a união perfeita. A Rainha aparece como uma figura feminina e, portanto complementar em termos de dualidade: o Rei Solar e a Rainha Lunar.

O Príncipe e a Princesa significam o potencial para a realeza; o poder e o vigor da realeza jovem. O príncipe está associado ao Rei como a fertilidade de seu povo e terras. Ganhando a mão de uma princesa, como aparecem nos mitos e nas lendas, é uma inspiração a estados mais elevados ou superiores.

Os arquétipos do Rei e Rainha, assim como de Príncipe e Princesa, também podem se manifestar em seus pólos opostos, negativos. Então teremos um cenário com características despóticas, tiranas, e de abusos de autoridade. Com relação aos arquétipos de Príncipe e Princesa podemos observar também situações de caráter persecutório, envolvendo situações cercadas por perigos onde o Príncipe e a Princesa podem ser mortos.

Na metade da direita da caixa de areia está o povo, aqui simbolizando os aspectos físicos, a realidade concreta, a vida cotidiana. Todos são trabalhadores e, portanto simbolizam o “eu” a serviço do Si-mesmo – o Rei.

No centro do cenário vemos a figura do Bobo da Corte, que na idade média era como um “funcionário” da monarquia, que divertia a corte. Podia criticar o Rei sem correr riscos, era inteligente, atrevido e sagaz. Falava o que o povo gostaria de dizer ao Rei e com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e, portanto ele é um integrador dos dois pólos do arquétipo, o positivo e o negativo.

O Bobo da Corte simboliza a função transcendente, que é o terceiro elemento que surge para integrar o par de opostos: povo e a corte, o “eu” e o Si-mesmo. Nesse sentido possibilita a unificação dos opostos restabelecendo o diálogo entre o “eu” – simbolizado pelo povo e o Si-mesmo simbolizado pelo Rei.

O Arauto, nas monarquias da Idade Média era o oficial que fazia as proclamações solenes, conferia títulos de nobreza, transmitia mensagens, anunciava a guerra e proclamava a paz. Neste cenário ele está anunciando que há um novo nível de integração e uma nova transformação a ser realizada.


A transferência e a contratransferência são uma forma de projeção típica da relação terapêutica entre paciente e terapeuta e pode-se caracterizar de forma positiva, com sentimentos de afeto e admiração, ou negativa, com sentimentos de agressividade e resistência, dependendo dos laços inconscientes e emocionais que emergem nesta relação.

Denominamos “Transferência”, as projeções relacionadas a reações emocionais do paciente, dirigidas ao analista. A “contratransferência” envolve sensações, sentimentos e percepções que brotam no terapeuta, emergentes do relacionamento terapêutico com o paciente: como respostas às manifestações do paciente e o efeito que tem sobre o analista. É um sinal de grande significação e valor para orientar o terapeuta no trabalho analítico.

Cenário que exemplifica a “relação transferêncial”:

Cenário que exemplifica aspectos do “Si-mesmo”

Neste cenário vemos o Obstetra com a parturiente e a sua volta acontece um amplo e abrangente ritual de cura: os instintos simbolizados pelo veterinário, as emoções simbolizadas no Cardiologista, a alma humana cuidada pelo Psicólogo, o corpo físico pelo Clínico Geral e o Oftalmologista que nos ajuda a “enxergar melhor”. Esses profissionais são observados pelo casal de macacos abraçados.

Este cenário reflete a busca do paciente por uma integração saudável e plena, revelando saúde de espírito e mente bem estruturada. O casal de macacos amorosamente abraçados simboliza a relação transferêncial positiva e o vínculo sólido. O obstetra personifica o terapeuta que por meio da continência segura e protegida, assiste o renascimento de seu paciente para uma nova fase de vida.

Fonte: Fotos Edna G. Levy

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